quinta-feira, 24 de novembro de 2011

ORIGEM DA EXPRESSÃO "MERDA" NO TEATRO


Todo mundo que trabalha com teatro ou que está diretamente ligado a esta magnífica arte, já deve ter ouvido a expressão "Merda" sendo dita aos atores - ou até mesmo entre eles - antes de começarem a apresentação. O que grande parte do público em geral (e até mesmo alguns artistas) não deve saber, é como surgiu tal expressão.
Existe mais de uma versão sobre o tema, até mesmo uma envolvendo a figura do bardo inglês, William Shakespeare, porém a mais plausível e que acredito ser a mais correta é a seguinte.
Durante o século XIX, mais precisamente na França, o público costumava comparecer aos teatros em suas carruagens ou montados em seus cavalos e mantinham suas locomoções por ali, desde o abrir das cortinas até o final do espetáculo. Como chegavam um pouco antes das apresentações, os arredores do edifício teatral ficava habitualmente todo cheio de estrume (merda) dos animais, empestiando o ar das redondezas. Para saberem se a apresentação haveria um bom público, os atores se baseavam na quantidade de merda que havia do lado de fora: quanto mais merda, maior o público. A partir daí, as companhias passaram a desejar "merda" uns aos outros, como sinal de boa sorte, antes de cada apresentação.
Desta forma, o Grupo Peripatéticos deseja a todos os artistas, antes de suas apresentações, exposições, shows, entre outros: Muita merda sempre!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Sobre o Espetáculo "Em Um Lugar de la Mancha" e seu Processo de Montagem

O espetáculo Em Um Lugar de la Mancha é uma livre adaptação do Grupo Peripatéticos de um dos maiores clássicos da literatura mundial, a novela O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha, do escritor espanhol Miguel de Cervantes Saavedra.
A obra Dom Quixote (como é popularmente chamada) foi escolhida como empreendimento inaugural do grupo, por acreditar que retratasse bem o trabalho proposto, envolvendo teatro, música e literatura, e dessa forma começou a pesquisa cênico-literário-musical para o processo da montagem.
Textos dramáticos sobre o Quixote são quase inexistentes e dessa forma, o primeiro passo foi realizar a transcriação da obra literária para a dramaturgia. Para isso, todo o elenco foi intimado a ler a obra na íntegra (nada de resumos) e fazer anotações das impressões e selecionar passagens interessantes do livro. No decorrer das leituras fomos complementando o material com vídeos que acrescentassem informações para a pesquisa, dentre eles os filmes A Viagem do Capitão Tornado, O Incrível Exército de Brancaleone e Big Fish. O universo de Dom Quixote também foi muito retratado em pinturas de artistas famosos como Salvador Dalí e Pablo Picasso; por isso resolvemos estudar algumas e a partir delas, colher material para a produção dramatúrgica. As imagens mais utilizadas neste processo, foram as do desenhista Gustave Doré, provavelmente as mais conhecidas e que puderam fazer com que os leitores de todo o mundo, tivessem uma visão mais comum de nosso engenhoso fidalgo.
Com todo este apanhado, fomos para a sala de ensaios e através de improvisações em cima deste material escrevemos a dramaturgia e criamos as músicas, com suas respectivas letras, que estão presentes no espetáculo. Vale ressaltar, que a adaptação é apenas a visão do Peripatéticos sobre a obra de Cervantes, já que retratar-la cenicamente, com toda a representividade que ela exerce no mundo literário, seria impossível, infundado e muito pretencioso com a genialidade do escritor. Em nosso texto dramático estão embutidos todos os elementos, passagens e filosofias que achamos mais importantes de transmitir ao público - o real motivo de toda essa empreitada.
Trabalhar o popular sem perder o eruditismo da obra, também foi um desafio, que acredito termos vencido. Para isso houve um estudo da cultura espanhola, para que assim pudéssemos mesclar com a cultura popular brasileira (também muito rica). Touradas, leques, castanholas (instrumentos presentes na música flamenca) e até mesmo as cores da bandeira espanhola, foram motes para a criação do espetáculo, porém a montagem era mais do que estas duas culturas; o Dom Quixote por si só está cheios de signos, além de sua personalidade erudita, porém desleixada, assim como o glutão Sancho Pança e, analisando este aspecto, conseguimos construir toda sua armadura e objetos de cavalaria usando utensílios domésticos (fôrmas de bolo, conchas, tampas de panelas, cabos de vassoura, escorredores de macarrão e raladores de queijo) fazendo alusão ao seu suposto nome - "já que nisso diferem os vários autores que dele escreveram" - "Queixada ou Queijada" e ao nome escolhido por nosso fidalgo, Quixote, que se refere ao objeto coxote, usado para protejer as coxas, que por sua vez, faz referência a expressão "feito nas coxas" (que é feito de qualquer maneira). Sobre isso escreveu o escritor Mikhail Bakhtin, em seu livro A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento: "O grande ventre de Sancho Pança, seu apetite e sua sede são ainda fundamental e profundamente carnavalescos; sua inclinação para a abundância e a plenitude não tem ainda caráter egoísta e pessoal, é uma propensão para a abundância em geral. (...) O materialismo de Sancho, seu ventre, seu apetite, suas abundantes necessidades naturais constituem o "inferior absoluto" do realismo grotesco, o alegre túmulo corporal (a barriga, o ventre e a terra) aberto para colher o idealismo de Dom Quixote, um idealismo isolado, abstrato e insensível; ali o "cavaleiro da triste figura" parece dever morrer para renascer de novo, melhor e maior (...) O papel de Sancho em relação a D. Quixote poder ser comparado ao das paródias medievais diante das ideias e cultos sublimes; ao papel do bufão frente ao cerimonial sério; ao da Charnage em relação à Quaresma, etc. (...) É um típico carnaval grotesco, que converte o combate em cozinha e banquete, as armas e armaduras em utensílios de cozinha e vasilhas de barbear, e o sangue em vinho (episódio do combate com os odres de vinho), etc."
Com tudo analisado e finalizado, o que nos sobra é um espetáculo - se não tão fiel e fantástico como a obra - sincero, trabalhado, divertido e totalmente independente.
Aventuras não nos faltarão e contamos que nelas estejam todos vocês, leitores/espectadores do maravilhoso mundo do cavaleiro da triste figura.
Espero encontar a todos Em Um Lugar de la Mancha.

Samir Antunes

Abaixo algumas imagens de Gustave Doré para a obra de Cervantes junto a referências dentro do espetáculo Em Um Lugar de la Mancha.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Apresentação - Projeto Estação Cultura

No último dia 13 o Grupo Peripatéticos apresentou o espetáculo Em Um Lugar de la Mancha dentro da programação do 3º Festival Cultural de Miguel Burnier, organizado pelo Projeto Estação Cultura.
Apesar da chuva, a apresentação foi excelente e a repercursão do público, que se divertiu com as desventuras do Cavaleiro da Triste Figura, foi a melhor possível.
O grupo só tem a agradecer a acolhida da população e a organização do festival e desejar-lhes sucesso nos próximos que virão.
Abaixo, algumas fotos da apresentação.

Fotos de Juliana Alves

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Luta Coreografada - Ensaio

Ensaio da luta coreografada do espetáculo Em Um Lugar de la Mancha, entre a Ama e Cura contra os livros de cavalaria de Dom Quixote.
A luta foi criada durante o processo de montagem do espetáculo e além de compor uma batalha é também uma partitura musical.
O ensaio contido no video foi feito para dar mais mobilidade a cena, que nas primeiras apresentações, se mostrava um pouco estática.
Assistam e comentem:



Assista a outos videos do Grupo Peripatéticos em nosso canal no youtube: http://www.youtube.com/user/grupoperipateticos?feature=mhee

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Em Um Lugar de la Mancha - 23/07/2011

Algumas fotos da apresentação do espetáculo Em Um Lugar de la Mancha, no adro da igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto/MG durante o Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana, pelas lentes de Vladimir Lage.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Canal Youtube


Olá amigos,

O Grupo Peripatéticos agora possui um canal no Youtube, onde serão postados videos referentes ao nosso trabalho.
Convidamos a todos a visitarem nosso perfil e conhecerem um pouco mais de nosso trabalho. Aproveitem e curtam.
O perfil do grupo está no link: http://www.youtube.com/user/grupoperipateticos
O nosso primeiro video, como não poderia deixar de ser, se trata da cena mais memorável da obra O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha, a dos moinhos de vento. A cena é do espetáculo Em Um Lugar de la Mancha, que estreiou no dia 17/07/2011.
Assistam e comentem: A Inimaginável Aventura dos Moinhos de Vento